BCOL faculdade de Medicina Agenda de Historia

O ensino universitário no Brasil veio com a família real (Dom João) e foi criado em 18 de fevereiro de 1808, com a faculdade de MEDICINA de Salvador. Na América espanhola havia universidades desde o século XVI. Mas os médicos formados no Brasil só tratavam da elite, cujos problemas eram de indigestão e outros abusos alimentares. Os escravos, que padeciam de problemas típicos do excesso de trabalho, eram atendidos por veterinários ou por curandeiros africanos, caso houvesse um na senzala. O extermínio dos índios e do seu conhecimento das drogas da floresta impediu o aproveitamento da sabedoria milenar nativa.  A carreira de cirurgião não tinha qualquer prestígio, pois se tratava de um procedimento manual, malvisto nas sociedades do Antigo Regime, que prezavam os homens que viviam de renda (nobreza ou clérigos) e infamavam os homens que viviam de trabalhos manuais. A Medicina do Velho Mundo (Europa) era inadequada para o ambiente do Novo Mundo (América). 

Na Marinha portuguesa, o cargo da área da saúde se chamava de cirurgião-barbeiro e as mesmas tesouras usadas para cortar melenas nunca lavadas, eram as mesmas que cortavam gazes e outros tecidos usados em procedimentos cirúrgicos. A assepsia se limitava à ação de afiar a tesoura, se é que este procedimento não aumentava as chances de infecção. O tratamento padrão aos homens que adoeciam a bordo era a flebotomia, ou seja, o sangramento com sanguessugas ou com lancetas (uma espécie de bisturi).  O médico embarcado costumava matar mais do que a marujada de navios inimigos. 

O preconceito contra trabalhos manuais era tão grande que um nobre teve que justificar que sua mulher fazia esculturas sacras (santos) como um atividade de lazer e de fé, pois se ficasse provado que a escultura tinha fins comerciais, o casal seria degradado.  Tiradentes, o militar que ficou mais de 15 anos no mesmo posto, preterido 4 vezes em benefício de lusos ou de filhinhos de papai locais, atuava na Odontologia e arriscava umas receitas médicas.

No RS, a atividade política foi exercida por médicos, como Carlos Barbosa, nascido em Jaguarão, secretário de Borges de Medeiros, que governou o estado por 25 anos, de 1898 a 1928, sendo substituído por Barbosa entre 1908 e 1913. O primeiro diretor da faculdade de Medicina foi Sarmento Leite, o nome atual da rua onde se localiza o prédio da foto. Borges veio inspecionar a construção a cavalo e pediu a Sarmento Leite para segurar as rédeas do animal enquanto vistoriava os trabalhos, sem saber que tinha tomado o diretor da faculdade por um peão qualquer. Avisado do equívoco 30 minutos depois, Borges pediu desculpas ao médico, que desculpou o presidente estadual, mas insistiu em receber uma gorjeta por ter cuidado do animal, pois tal coisa não estava prevista nas suas responsabilidades.

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