BIMP Trafico negreiro Dicionario gratuito

TRÁFICO FEIO (dos outros) e TRÁFICO BONITO (inglês)

O tráfico negreiro foi um atividade mercantilista exercida por muitas nações: Portugal, Inglaterra, Holanda, França, Dinamarca e outras. A Espanha, que explorava o trabalho nativo asteca (cuatequil) e inca (mita), não se dedicou ao tráfico, mas foi grande consumidora de africanos para substituir os nativos nos locais onde foram exterminados (Caribe).

A Inglaterra foi uma grande traficante e recebeu da Espanha o asiento negrero por 30 anos ao final da Guerra de Sucessão Espanhola (1715  1745). O país mudou de postura após consolidar a sua Revolução Industrial. Nas suas próprias colônia, aboliu o tráfico em 1807, e a escravidão, em 1833. A partir de 1810 passou a pressionar aliados frágeis (Portugal) a fazer o mesmo, sem resultado. A pressão se transferiu ao Brasil Independente, mas os resultados se resumiram a uma enganação, a Lei Para Inglês Ver (1831), feita no início das Regências. A Inglaterra ganhou o direito de fazer vistorias (Visita em Alto Mar) em navios suspeitos de tráfico. O direito de visita acabaria em 1846, mas antes de ele expirar, os ingleses decretaram o Bill Aberdeen (1845), que violava a soberania brasileira ao abordar navios em águas nacionais. O capitão do negreiro era enforcado e se houvesse fuga, o navio era perseguido e destruído (negros morriam afogados), coisa incompatível com o discurso humanitário inglês. A aprovação do Bill Aberdeen também é apontada como uma retaliação contra a Tarifa Alves Branco (1844) e a não renovação dos tratados livre-cambistas que privilegiavam as manufaturas britânicas.

A repressão governamental chinesa ao tráfico (ilegal) de ópio praticado por ingleses foi o pretexto para conquistar portos chineses. Foram as Guerras do Ópio. Atrás dos ingleses, vieram outras nações imperialistas: França, Alemanha, Rússia, Itália, Alemanha, Dinamarca e Japão. A China perdeu quase todos seus portos marítimos.

Saddam Hussein, o ditador iraquiano, foi deposto em 2003. Ele não tinha armas químicas, biológicas, atômicas nem ligações com a Al Qaeda. E se tivesse armas? Quem vendeu ao Iraque? Os mesmos países que depois o ocuparam o país. Quando as armas foram usadas contra o Irã do Aiatolá Khomeini na Guerra do Golfo (1980 a 88), nenhuma nação que invadiu o país achou ruim a morte de civis e soldados iranianos. Aproveitaram para lucrar com a indústria de armamentos.

Democracia e intervenções externas: as necessidades de insumos dos países mais ricos, armados e industrializados é que decidem se um governo deve ficar no poder ou não (Hugo Chavéz, Mahmoud Ahmadinejad). Tráfico desumano, guerras energéticas, disputas pela hegemonia mundial, mentiras democráticas, terrorismo tratado como bruxaria … tudo isso se mistura.

Dica geográfica: os blocos econômicos (NAFTA, MERCOSUL, UE e outros) , típicos da Globalização, agem, às vezes, como placas tectônicas, chocando-se um com o outro, provocando terremotos, atritos, tsunamis e discursos econômicos messiânicos que prometem o jogo win-win, onde todos ganham.

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