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Vale a pena ter dinheiro? O Brasil já passou por situações paradoxais e começou sua História econômica sem dinheiro, trocando PAU-BRASIL por objetos úteis (machados) e menos úteis (chocalhos) com os índios. No Maranhão, antes de 1749, não havia dinheiro em circulação e caroços de cacau e fardos de algodão funcionavam como moedas em relações de escambo. A criação das Companhias de Comércio pelo Marquês de Pombal melhoraram o meio circulante maranhense.

No primeiro Reinado (1822 a 1831) havia moeda, mais muita falsificação também. Em determinado momento, as moedas foram todas recolhidas. O Banco do Brasil faliu em 1829, mas já vinha mal desde que Dom João VI retornou a Portugal e sacou a maior parte do dinheiro. Ficaram sós os depósitos dos brasileiros.

No início da REPÚBLICA, na fase do Governo Provisório, o Marechal Deodoro nomeou RUI BARBOSA Ministro da Fazenda (1890). Rui, advogado, pouco entendia de finanças e achou que oferecer crédito barato ia INDUSTRIALIZAR o Brasil, queimando etapas no seu desenvolvimento e por isso autorizou a EMISSÃO DE PAPEL-MOEDA por vários bancos e o dinheiro em circulação aumentou em 166%. Era preciso aumentar o dinheiro em circulação porque em 1888 a escravidão fora abolida e a imigração europeia era ascendente, pois um dos inibidores da mesma era a escravidão.  A produção de papel-moeda em grande volume provocou INFLAÇÃO (porque a produção de bens não aumentou) e ESPECULAÇÃO (porque empresas fantasmas foram criadas apenas para vender ações de uma empresa que nada produzia). A crise econômica foi apelidada de ENCILHAMENTO, pois lembrava o momento em que os cavalos eram encilhados no hipódromo e as apostas em torno do futuro vencedor da corrida ficavam frenéticas. A solução para a inflação veio mais tarde, com o presidente CAMPOS SALES (1898), que queimou o excedente de papel-moeda.

ENCILHAMENTO e o vestibular da UFRGS: caiu nos anos de 1991 (questão 56) e 2008 (questão 15).